
O Mistério do Tempo
O tempo é relativo, disse o génio científico ao estudar a mecânica do mundo das partículas. Na realidade, do ponto de vista mais alto, o tempo é uma ilusão, um parâmetro, uma limitação que faculta aos seres espirituais manifestarem-se no mundo material para experimentar as mais diversas circunstâncias que lhes permitem exercitar e desenvolver os potenciais latentes que aos poucos se transformarão nas virtudes celestes que caracterizam os seres já libertos das imposições da lei da reencarnação nos mundos mais densos.
Ao longo dos dias, meses, anos, séculos e milénios, a consciência em expansão ganha profundidade e alcance interno e externo. Ancorada nos limites temporais, ela aprende as leis físicas e morais que governam a vida.
O ser percebe o alcance de lei da criação cada vez que reencarna num novo corpo. A lei da evolução é experimentada intensamente no processo de crescimento até o amadurecimento físico e psíquico. A lei de destruição que determina que toda a matéria se degrada para se transformar em outra forma e que estabelece na morte física o portal obrigatório onde só o espírito atravessa é derradeira lição de humildade.
O fluxo temporal é percebido pela mente como sucessão de eventos que não podem ser interrompidos. Ninguém consegue parar o tempo ou retroceder para mudar o curso da história. Tal impossibilidade é importantíssima ferramenta pedagógica divina, sem a qual os seres não perceberiam a lei de causa e efeito que mantém o equilíbrio e a harmonia universal.
Tal como crianças que necessitam de rodinhas para aprender a equilibrar-se numa bicicleta, o ser em desenvolvimento conscencial necessita do limite tempo/espaço para parametrizar as suas experiências até ser capaz de controlar o imenso potencial mental de que dispõe em forma embrionária e que desenvolvido corretamente o levará para as altitudes dos seres livres que já dispensam o apoio material para se manifestarem nas infinitas esferas da criação. Neles, a sabedoria, a responsabilidade e o amor não são meras esperanças ou metas, mas conquistas cristalizadas em almas amadurecidas ao longo de incontáveis ciclos temporais.
Se o tempo é apenas uma ilusão, um pano de fundo para o teatro da vida, resta concluir que o único momento é o agora, um infinito e incomensurável presente. Portanto, seja sensato, sábio e feliz já! Viva cada agora como sendo único porque esta é a verdade última. A mente não tem limites, a única barreira é a capacidade de percepção, a ignorância que tolhe a consciência e impede a verdadeira felicidade.
Caboclo 7 Encruzilhadas