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A Bengala e o Cajado

O arquétipo do preto velho é um dos pilares fundamentais da Umbanda. Extraído do inconsciente coletivo milenar, ele exerce na mente ainda confusa do ser encarnado efeito calmante, inspirando respeito e contemplação diante da honorável figura do ancião que carrega nas costas o peso da idade, da experiência e da sabedoria adquirida através do sofrimento e da dor. É muito comum, quando manifestado nessa forma fluídica tão característica, que a entidade se faça acompanhar de uma bengala ou um cajado que lhe sirva de apoio ao corpo frágil e passo inseguro.

Como tudo na Umbanda, também esses elementos de trabalho possuem profundo significado simbólico e metafísico. Para atingir o elevado grau espiritual de mestre ancião, comumente chamado de preto ou preta velha, o espírito já deve ter alcançado o perfeito domínio de todas as suas tendências inferiores. Ele já aconselha com conhecimento de causa, pois conhece os meandros e implicações da lei de causa e efeito e consegue manipular os elementos magísticos com os quais alivia e direciona todos os que necessitam de auxílio.

Duas virtudes básicas marcam esses espíritos que lograram atingir tão alto grau de sabedoria, qualidades estas desenvolvidas na superação de infindáveis sofrimentos, empecilhos, humilhações e dolorosos resgates. Muitas foram as quedas, muitos os ferimentos físicos e morais, mas sempre se levantaram apoiados na humilde paciência e na corajosa persistência para continuar o seu caminho de ascensão.

Hoje ensinam aos mais novos através do exemplo simbólico ao se apoiarem na bengala e no cajado demonstrando que mesmo devagar e com dificuldade é preciso continuar.

Se as pernas estiverem cansadas da luta sem resultados, apoie-se na bengala da paciência e se lhe faltar a força no momento mais crítico empunhe o cajado da persistência para ir mais além e tentar mais uma vez.

Pai Benedito de Aruanda

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