
Nas Areias do Tempo
Longa, muita longa é a jornada da vida. Sua origem perde-se nos horizontes sem fim. Quantos passos já demos? Quantas vezes tropeçamos e caímos? E quantas vezes nos levantamos para tornar a cair logo a seguir? Quantas pedras encontramos? E também quantas paisagens vislumbramos? Quantos palmilharam o caminho conosco, partilhando sonhos por alguns momentos, para depois seguir por outros rumos? Quanta poeira, quanto vento, quantas feridas, quanta chuva molhou-nos as roupas e encharcou o coração
Teremos escolhido os melhores caminhos e companhias? Teremos aproveitado as belezas ao longo da estrada ou só caminhamos com os olhos voltados para o chão com medo dos espinhos e obstáculos?
E o mais importante que tudo, para onde se dirige essa estrada? Qual o destino? Seja ele qual for, terá valido a pena tanto esforço e sofrimento?
Tantas são as perguntas, mas as respostas parecem ainda fora de vista por mais que caminhemos. Quais viajantes num imenso deserto, ansiamos pela água refrescante do Oásis da esperança para nos salvar do calor e da sede que mortifica o corpo e suga as energias da alma.
E assim fomos caminhando perdidos nas areias do tempo que escoam inexoravelmente por entre os dedos da consciência. Sem rumo nem destino fomos nos agarrando às ilusórias paragens de falsas realizações e de fugazes prazeres, mas com alma cada vez mais seca e árida pelas águas salgadas e salobras da superficialidade e da ignorância.
Mas nada no universo pode permanecer, tudo muda e se transforma. E também a sorte prepara as sua surpresas, tão inesperadas quanto as tempestades de areia no deserto que chegam sem avisar, arrasam tudo para deixar completamente modificada a paisagem depois que passam. Assim, quis o astuto destino que os meus passos se cruzassem com os Dele, que os meus olhos vazios vislumbrassem as estrelas que nos Dele resplandeciam e que meus ouvidos surdos se abrissem para a sinfonia perfeita das suas palavras de sabedoria.
E então tudo mudou, da noite eterna fez-se raiar a aurora, na secura do deserto enfim choveu a água pura da fé, o caminho sem direção passou a seguir o mapa infalível da lei eterna e do coração árido e sem vida brotou o milagre inaudito do amor.
"Eu sou o caminho, a verdade e a vida" disse Ele e Sua voz derrubou todos os obstáculos, pulverizou pedras, curou feridas e ressuscitou os mortos do corpo , da alma e do espírito. Nas areias do Tempo eu andava perdido, mas a Sua presença em mim fez-se direção.
Alafin, o tuaregue