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Malandro não é vagabundo

No meio espiritualista a figura do malandro ganhou muita publicidade e relevo. A simpatia, a esperteza, a dança, o cariz popular e o charme dessa linha de trabalho conquistaram inúmeros admiradores em todos os ramos até mesmo fora da Umbanda. Conversar com um malandro é estar frente a frente com a alegria e a descontração. O malandro aceita todos e não julga ninguém. Ele é profundamente humano, fuma, bebe, dança, conta piada e diverte a todos.

Mas por trás desse estereótipo do alegre e brejeiro boêmio, se esconde um trabalho sério e muito importante. A linha dos malandros representa os rejeitados pela sociedade hipócrita e falso religiosa. Ela abraça os que não encontram trabalho “digno”, os que estão à margem da respeitabilidade, os que são excluídos por preconceitos rácicos, económicos, religiosos ou culturais.

A malandragem não apoia a bandidagem, o mau carácter, a violência ou o crime, mas procura regenerar o criminoso, o viciado, o perdido e o abandonado. Ser malandro é ser sobrevivente num mundo que apenas cobra e culpa, onde as aparências não refletem a realidade, onde por trás de uma fachada limpa e respeitável se escondem personalidades doentes e cruéis, e muitas vezes sob uma capa de desordeiro, caído ou fora da lei, existe um coração machucado que apenas espera uma mão amiga para se levantar e seguir viagem.

Os espíritos que trabalham sob a égide do arquétipo do malandro são exímios equilibristas no arame da vida. Eles conhecem as quedas e também a forma de se levantar. Conhecem os perigos e a maneira de contorná-los. Combatem o mal com sua ginga, graça e sedução.

Muitos confundem malandragem com vagabundagem e pedem às entidades dinheiro sem esforço, realização sem mérito, conquista sem trabalho, achando que isso é esperteza. Malandro age dentro da lei, apenas sabe apresentá-la de um jeito mais leve e alegre. Mas não se engane, na hora do vamos ver, malandro pega pesado e mete a mão em cumbuca.

A figura do malandro é uma lição de coragem diante da adversidade, de alegria diante da desilusão e de esperança mesmo quando tudo parece perdido.

Malandragem é saber ganhar e também perder no jogo da vida, mas sem nunca perder a ginga.

 

Malandro Zé Pilintra

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